José Eduardo Cardozo é cara do petismo moderno

Essa semana, José Eduardo Cardozo esteve na CPI da Petrobras e no programa de entrevistas da jornalista Mariana Godoy, na Rede TV. Em ambas as ocasiões, espezinhou os fatos, a lógica, o bom senso e a realidade, sempre com aquela altivez dos embrulhões profissionais, usando o melhor do vocabulário para escancarar o pior da moral.

Voltou a chamar crimes de “equívocos”, como se dilapidar a maior estatal do Brasil fosse apenas um errinho, um engano cometido por um ou outro companheiro imprudente. Um Ministro da Justiça que se vale desse falatório está realmente determinado a relativizar o tamanho da roubalheira praticada. Por Twitter, perguntei  se não era trágico que ele se utilizasse desse tipo de recurso retórico. Em sua resposta, para lá de enrolada, afirmou não lembrar de ter confundido os termos. Confundiu sim. Além de eu ter ouvido, aqui está a transcrição.

Conheço poucas pessoas que conseguem unir a desfaçatez e a galhardia com o mesmo nível de profissionalismo com que Cardozo faz. E nas questões relativas à Segurança Pública ele consegue se superar. É estupefaciente observar que o responsável pelos investimentos federais em presídios use o microfone para criticar uma situação da qual ele é o responsável. O PT está há 12 anos no comando do país. Se hoje o sistema carcerário é depauperado, desumano, uma “escola do crime”, uma “masmorra”, é por culpa da incompetência do governo do próprio Ministro. Quais as ações concretas que esse senhor tomou em sua pasta para ao menos caminhar para uma modificação da atual realidade? Nenhuma. Os recursos do Fupem, o Fundo Penitenciário, continuam sendo contingenciados. Faltam vagas nos presídios e sobram entrevistas desonestas de José Eduardo Cardozo.

Em sua gênese, o petismo era boquirroto, brucutu, troglodita e suado. A melhor imagem do partido era o próprio Lula, com sua barba por fazer, seus perdigotos, sua camisa suja e desalinhada, sua fala irascível e entupida de conceitos revolucionários contra o mercado e os contratos.

O petismo pós 2002 encontra sua imagem ideal em José Eduardo Cardozo. Cardozo fala bem, gesticula em tom professoral, usa roupas alinhadas, tem postura de gerente de banco, toca piano e faz a barba. É um petista moderninho. É o petista impoluto. Mas não se engane. Por trás daquela aparência de esquerdista Mauricinho, continua escondido todo o espírito de seu partido. A sofisticação é o disfarce ideal para a mendacidade.

Sem título                O petismo sofisticado: a incompetência se junta aos acordes de piano

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