O Humaniza Redes e a cultura da hipocrisia da esquerda na internet e fora dela

O que é um debate organizado por uma comunista? É uma conversa de comadres, um conchavo, um colóquio. A metodologia é simples: convidam-se pessoas diferentes para concordar entre si. É a matriz do Fórum Social Mundial. E foi inspirada nessa linha que Manuela D’Ávila, do PCdoB, fez um encontro do Humaniza Redes, aquela estrovenga criada pelo governo para denunciar o discurso de quem se opõe ao status quo oficialista.

Além da própria deputada, também palestravam Juremir Machado da Silva, notabilizado por chamar de “lacerdinha” qualquer um que não seja tão esquerdista quanto ele, e Moisés Mendes, que usa seu espaço na Zero Hora para dizer que quem pede impeachment é golpista. Só criaturas amabilíssimas, como se pode notar.

Um grupo que não concordava com a abordagem, e que pode ser descrita, segundo o pensamento de dois dos palestrantes, como “lacerdista” e “golpista”, resolveu se manifestar, protestando contra a unilateralidade de pensamento externada pelos sedizentes democratas que ocupavam o microfone. A confusão foi instalada e a idealizadora do evento resolveu encerrar tudo. Não dá para debater quando alguém discorda.

Os palestrantes convidados, usando seu generoso espaço na mídia, resolveram então criar a narrativa dos acontecimentos, dando sua versão dos fatos. O fizeram com aquela dose de isenção típica de quem só pode falar em eventos do Humaniza Redes.

Juremir Machado da Silva, em seu blog no Correio do Povo, chegou a escrever um texto intitulado “A cultura do ódio na internet e fora dela”, onde podemos ler mimos como:

“Quando Potter estava falando, um homem o interrompeu. Segundo ele, faltava contraponto na mesa. Ficamos perplexos. Deveria ter alguém na mesa que fosse a favor do ódio na internet?”

O parágrafo é de tal modo intelectualmente desonesto que distorce o sentido da indignação do manifestante, como se ele estivesse ali cobrando a presença de palestrantes odientos e não de um ponto de vista divergente sobre a questão do pretenso “ódio na internet”.

Mas não só isso. Em seu artigo, Juremir também dá voz a ilações caluniosas. Ele diz:

“Consta que a tropa de choque que boicotou e levou à interrupção do evento teria sido enviada por um deputado de direita. Um novo inimigo de Manuela.”

Consta onde? Ele jamais informa. E não informa por saber qual a implicação de uma acusação que não tem provas. O “deputado de direita” não passa de um ataque covarde e genérico. Um reductio ad carapuçam, como diria meu amigo Bruno Lemes. Uma indireta, ainda que com alvo certo: o Deputado Marcel Van Hattem.

Durante o evento do Humaniza, Manuela chega a dizer que os manifestantes teriam um “líder”, e que ela havia ouvido o discurso dele “hoje no plenário”. Uma referência clara e inequívoca ao pronunciamento de Van Hattem, que havia falado na Assembléia sobre ódio da esquerda, esse sim materializado em balburdia, arruaça e destruição de patrimônio público e privado por meio da ação de grupos como o MST.

Mateus Colombo Mendes, um dos integrantes do grupo que atrapalhou o conchavo do Humaniza Redes, afirmou que o episódio era significativo do fim da hegemonia esquerdista. Pode ser, mas certamente não significa o fim da sua hipocrisia.

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Não é debate, é conchavo
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