O fim do Dias

Ainda ano passado, por volta de setembro, escrevi em minha página no Facebook sobre Álvaro Dias: “é o maior nome da oposição política no Brasil. E é por ser o único com uma linha coerente de ação. (…) o eleitor o identifica como um rosto de posicionamentos claros, sem medo de sacrificar sorrisos fáceis em nome da verdade dos fatos e da correta e justa luta política”. Depois do episódio envolvendo a indicação de Edson Fachin ao STF, com amplo, militante e irrestrito apoio do referido tucano, está provado que sempre nutri mais respeito pela biografia de Álvaro Dias do que ele próprio.

Em mais de uma ocasião, seja em público ou em privado, sempre achei que o Senador do Paraná era o nome adequado do PSDB para concorrer a Presidência. Seus préstimos para a oposição mereciam esse reconhecimento. Foi ele que defendeu solitariamente o impeachment de Lula em 2005. Foi ele o responsável por dar combate público ao decreto 8243. Foi ele o primeiro político de renome a dar atenção aos protestos contra o governo Dilma ainda no início de 2015. Álvaro Dias, que sempre esteve na vanguarda, se atirou na lata do lixo, com impressionante satisfação. Entregou sua alma pela nomeação de um amigo.

Muitos podem até argumentar que se trata de um ato isolado. Um deslize em uma carreira de tantos méritos. Poderia até ser, não fosse o fato de que se trata de um erro decisivo em um momento dramático da vida pública nacional. Dias traiu seus eleitores, que o viam como defensor da Constituição e dos valores que ela resguarda. E o fez ante o perigo real e imediato de aparelhamento da Corte Suprema.

Edson Fachin é um esquerdista de corte marxista. Odeia a propriedade privada e também a família tradicional. Vê na Constituição um empecilho, quase que uma superestrutura burguesa feita exclusivamente para atrapalhar a consolidação do socialismo. Fachin representa a subversão completa do STF ao projeto bolchevique de poder do PT.

Álvaro Dias falhou miseravelmente, além de ofender seus eleitores decepcionados, ao ver em um revolucionário escolhido a dedo por Dilma o baluarte do nosso direito. A semana que se encerra serviu para o Senador consumar seu suicídio de reputação. Ninguém, nem os petistas satisfeitos com o trabalho prestado por ele prestado, irão ao velório.

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Nem Fachin se arrisca a ir no velório de Álvaro Dias

Publicado na edição impressa do Jornal Informante no dia 15/05/2015 

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