Juremir Machado não viu “ódio” contra Diogo Mainardi

Juremir Machado da Silva, colunista do Correio do Povo, reclama de um suposto “ódio” reverberado por manifestantes que foram ao evento do Humaniza Redes onde ele era convidado. Os indignados apenas pediam um contraditório que não existia na mesa de “debates”.

Em 2007, Juremir Machado da Silva moderou uma palestra do escritor Diogo Mainardi, então colunista de VEJA. no auditório da PUC de Porto Alegre. Um grupo de esquerdistas esteve na ocasião e aos gritos e portando até faixas, acusaram o articulista de ser “traíra da América Latina”. Diogo chegou até a comentar o episódio em seu podcast no site da revista.

Mas e o que comentou Juremir? Chamou alguém de odioso? Falou de intolerância? Não. A declaração dele, em entrevista a um órgão de comunicação da PUC, foi que:

“O Diogo falou o que ele pensa (…) As outras pessoas que se manifestaram, que vaiaram, que fizeram algo que é lícito, que é legítimo, se manifestar. É um pouco indelicado quando passa de um certo momento. Aquilo já estava compreendido. Mas faz parte do jogo democrático, dos debates e tudo o mais…”

Em 2007, quando Diogo foi vaiado e chamado de “traíra da América Latina”, Juremir considerou a coisa “parte do jogo democrático”. Hoje, quando ele e seus amiguinhos do Humaniza Redes são vaiados e ouvem cobranças de pluralidade de opiniões, ele considera a coisa como “discurso do ódio”.

Confiram o vídeo com a manifestação de Juremir em 2007:

Andre Machado e o “erro” do PCdoB. Ou: Faz sentido um jornalista se filiar em um partido comunista?

Andre Machado pediu as contas do PCdoB. O motivo foi a decisão do partido de apoiar o “distritão”, uma jabuticaba política que alguns líderes queriam importar do Afeganistão, país de histórica tradição democrática. Machado afirma ter sido um “erro” tomar essa posição. Eu também acho, e até me solidarizaria com o referido jornalista não fosse esse o menor dos motivos para se desfiliar dessa sigla.

O PCdoB, ainda que existente em uma democracia, guia-se,  segundo seu estatuto,  “pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários marxistas.” Em outras palavras, guia-se pela ditadura do proletariado.  Cada país que experimentou a “teoria científica” de Marx e Engels se viu em um banho de sangue. Assim foi na URSS, na China, no Camboja. Assim é em Cuba e na Coreia do Norte.

Entre as reclamações de Andre Machado está a de que ele interrompeu “uma trajetória jornalística bem sucedida para buscar um espaço na política pela sigla”. É até cômico que um profissional da área, e não quero desmerecer a carreira de Machado, se imagine militante de um partido que prega uma ideologia que onde governou jamais deu espaço para “trajetórias jornalísticas”, preferindo acabar com as liberdades públicas de opinião ao acondicionar toda a informação divulgada e permitida em órgãos oficiais.

O partido que até ontem acolhia Andre Machado é o mesmo que esteve envolvido nos escândalos do Ministério dos Esportes, quando da passagem de Orlando Silva, bem como foi aquele que lamentou a morte do ditador sanguinário da Coreia do Norte, Kim Jong-il. Nada disso fez com que Andre Machado deixasse a sigla. Nada disso tornou sua situação nela insustentável.

Andre Machado tem todo direito de se arrepender e se desfiliar, mas é preciso dizer que na Coreia do Norte ou em Cuba, seu anúncio seria considerado traição e ele provavelmente seria fuzilado. Felizmente estamos em um país democrático. Aqui ainda não nos guiamos “pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels.”

E ai
E ai Lênin, beleza?

Escola sem partido: O PL que barra a proxenetagem em forma de ensino

O deputado federal Izalci Ferreira, do PSDB, apresentou o PL 867/2015, intitulado “Escola sem partido”, idealizado pela ONG de mesmo nome. No Rio Grande do Sul, um projeto similar foi protocolado na Assembléia pelo deputado estadual Marcel Van Hattem. A ideia da lei é preservar a integridade intelectual dos alunos que atualmente estão expostos à ideologia de certos militantes travestidos de professores.

O PL dispõe em seu Artigo 2º:

A educação nacional atenderá aos seguintes princípios:

I – neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado;

II – pluralismo de ideias no ambiente acadêmico;

III – liberdade de aprender, como projeção específica, no campo da educação, da liberdade de consciência;

IV – liberdade de crença;

V – reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado;

VI – educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença;

VII – direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

Já em seu Artigo 4º o conteúdo é o seguinte:

No exercício de suas funções, o professor:

I – não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para esta ou aquela corrente política, ideológica ou partidária;

II – não favorecerá nem prejudicará os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas;

III – não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas;

IV – ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito;

V – respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções;

VI – não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula.

Quem tem o mínimo de honestidade intelectual verá que nos dispositivos não há qualquer censura ao conteúdo. Há exatamente o contrário: a obrigatoriedade da exposição. E é disso que trata o PL: a garantia do acesso a temas, versões e conceitos que, atualmente, parte considerável do professorado, em virtude de suas escolhas político-partidárias, mantém convenientemente afastados da sala de aula e do conhecimento do alunado.

Sindicatos, historicamente instrumentalizados, se mostraram contrários ao projeto. A nota do CONTEE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino) chega ao estado de mendacidade pura e simples, tal é a forma com que distorce o teor disposto. Fala de um suposto “menosprezo a liberdade de expressão” e também de “menosprezo ao magistério”, quando na verdade tudo o que se trata é impedir que a liberdade de expressão, assegurada a qualquer um, seja usada para transformar a mesa do professor em uma tribuna e a classe em uma claque.

O que a referida Confederação pretende é continuar a reproduzir  livremente aos alunos o mesmo tipo de conteúdo pernicioso que dá tom a própria nota, onde ataca as ideologias “moralmente conservadoras e economicamente neoliberais”, além de fazer referências ao PSDB e ao governo Beto Richa, do Paraná. Uma entidade que se descreve “sindical, educacional e, portanto, eminentemente política” já escancara seus objetivos e mostra que seu compromisso moral não é com a educação, mas com causas.

Os inimigos do PL 867/2015 querem que as escolas continuam a ser meras extensões dos diretórios partidários.

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O desastre Dilma é o desastre lulista. Separar os dois é fazer o jogo político do PT.

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Eles são uma coisa só

No editorial do meu programa na Rádio Sonora, comentei sobre a tentativa fajuta do PT de querer se apropriar tanto do governo quanto da oposição. O caso envolvendo o ajuste fiscal, onde setores do partido ligados a Lula criticaram as medidas, é emblemático. É preciso ficar claro que o pacote não é de Joaquim Levy, é do governo petista de Dilma, a criatura inventada por Lula para governar o país em sua ausência.

Confiram a íntegra do comentário:

Percival Puggina em entrevista ao editor do blog: “Quem vem comandando a CNBB é um grupo ligado à esquerda”

Semana passada, em meu programa na Rádio Sonora, entrevistei o escritor e colunista de Zero Hora, Percival Puggina. A conversa se centrou na proposta de reforma política encampada pela CNBB. Puggina foi absolutamente enfático:

“O que a Igreja tem que fazer é uma linha divisória muito clara, que é a linha do enunciado dos princípios e dos valores. E isso a Igreja faz e tem a obrigação de fazer. Não para tornar isso obrigatório a ninguém, mas para colocar à ponderação da sociedade. Princípios e valores que podem influenciar a ordem política, mas a linha que sai dai para a ordem concreta que se quer dar para a organização das instituições, como devem funcionar as coisas, para as soluções a serem dadas, esta não é uma linha que a Igreja possa, de qualquer forma, ultrapassar no exercício de sua função pastoral na sociedade. É uma linha divisória que não pode ser ultrapassada, e a CNBB passou por cima e deu um chute.”

Confiram a íntegra do programa:

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Percival Puggina e o editor do blog no Fórum da Liberdade de 2014

Sobre armas brancas e idiotas de todas as cores

O Brasil nunca vai melhorar sua segurança enquanto legisladores idiotas optarem pela política de criminalização de objetos inanimados. Facas, espingardas e até bombas nucleares podem ser usadas para cometer crimes ou se prevenir deles. O crime não está no objeto, e sim na ação. Um limpador de unha pode ser tão mortal quanto uma foice. Ele pode servir para limpar a unha ou para furar um pescoço. Quem determina seu uso é o agente que o porta. Tesoura é arma branca? Crianças levam tesouras para escolas. Alguém ai acredita que proibi-las de leva-las para a aula diminuirá o número de homicídios? Querer resolver o problema dos esfaqueamentos criminalizando as armas brancas é o mesmo que tentar diminuir os acidentes de trânsito multando as montadoras de veículos.

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Uma arma branca

Adendo 1 : Não deixem de comprar o livro “Mentiram para mim sobre o desarmamento”, escrito pelos meus amigos Flavio Quintela e Bene Barbosa.

Adendo 2: Comentei a questão no editorial do meu programa na Rádio Sonora:

A dupla moral de Manuela servida em postas

Manuela se pretende uma vítima. Foi assim que ela se apresentou na Assembléia Legislativa depois que seu conchavo do Humaniza Redes foi atrapalhado por um grupo de manifestantes que pediam contraditório em um debate onde todos os convidados concordavam. A deputada reclamou, chegando a dizer que as pessoas ali presentes eram as mesmas que até pouco tempo definiam o rumo do país, em clara referência a ditadura militar. A deputada esquece que aqueles que de fato definiam o rumo do país naquela época, figuras como Delfim Netto, Paulo Maluf e José Sarney, hoje estão coligados com seu partido, o PCdoB, na base de apoio do governo Dilma.

Não faz muito tempo, o Legislativo gaúcho sediou um evento intitulado “Fórum dos Grandes Debates”, com participação do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. As esquerdas, buscando intimidar o deputado que tem sido uma pedra no sapato do governo Dilma, resolveram organizar uma arruaça. O teatro Dante Barone foi ocupado por claques que atrasaram por mais de três horas o início das atividades, vaiando inclusive a execução do hino nacional. Tudo foi filmado pelo cientista político Fabio Ostermann:

Manuela não apareceu na tribuna para reclamar de ódio nessas manifestações. Manuela não se solidarizou com o presidente da casa, Edson Brum, que foi brutalmente interrompido, muito menos com o palestrante Eduardo Cunha, que foi ofendido e perseguido. Manuela não disse nada sobre o grupo organizado. É que nesse caso, de proporções muito maiores, haviam integrantes dos chamados “movimentos sociais”, aquelas milicias que prestam vassalagem ao governo do qual a deputada comunista faz parte.

Estão notando um duplo padrão moral? Ele vai muito mais além. Manuela, que se vitimiza confortavelmente na tribuna, jamais se solidarizou com a perseguição bárbara perpetrada pela esquerda brasileira contra a dissidente cubana Yoani Sanchez quando esta esteve no Brasil para falar dos horrores que vivenciam ela e seus compatriotas na ilha que foi sequestrada por uma gangue de genocidas comunistas. Aqui está a forma com que a deputada tratou da questão:

Segundo o raciocínio de Manuela, a vaia e os protestos são democráticos em eventos onde a “moça”, na verdade a Prof. Yoani, falava, mas são odiosos e raivosos quando a palestrante é a própria deputada e seus convidados progressistas ilustres. Não bastasse isso, ela passou uma borracha no que de fato aconteceu com a dissidente cubana. Não foram meras vaias.

Além de ser espionada por agentes castristas com aval do governo brasileiro, a selvageria da esquerda nas manifestações contra Yoani era tanta que ela chegou a ser agredida fisicamente ao ter seu cabelo puxado. Imaginem vocês o escarcéu que seria se o mesmo ocorresse com a dondoquinha comunista. Certamente ela proporia uma CPI da chapinha.

A deputada que vive enxergando ódio nos outros não passa de uma acobertadora do ódio materializado de seus companheiros.

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As ferramentas do vitimismo