Conversa de Cúmplice

Nenhum crime pode ser relativizado ou justificado. Eles podem e devem, entretanto, ser tratados por categorias. Há crimes maiores e crimes menores. O mensalão petista jamais foi considerado o maior escândalo da história do Brasil em virtude dos valores desviados. O foi por sua sistemática totalitária que estabelecia entre Executivo e Legislativo a mesma relação que existe entre um cafetão e sua prostituta.

A tentativa de sobrepor um poder sobre o outro cumpria a sua função de subverter a democracia na velha estratégia canhota de fazer do partido que está no governo a instância decisória última e única. O mensalão tucano, ocorrido em Minas Gerais, e o do Democratas, no Distrito Federal, em que pese crimes graves, por serem regionais, jamais tiveram essa ambição de corroer o Estado de Direito. Não podem, portanto, figurar no mesmo patamar em que gravitam as operações fraudulentas nas quais estavam evolvidos Genoino, Dirceu e Delúbio, os heróis de araque da esquerda.

A milícia que está à solta, tentando transformar cada ilícito penal em um atestado de idoneidade, procura de todas as formas, criar uma narrativa alternativa aos fatos incontestáveis. Vamos desde a lorota de que o sistema político leva a corrupção até o argumento canalha de fazer do STF um suspeito de julgar politicamente e sem provas. Para essa gente os petistas envolvidos nunca são culpados. Ou são vítimas de um sistema inescapável ou de um complô que envolve juízes, jornalistas, agentes da CIA, e todo o reacionário golpista que não suporta retirantes nordestinos na presidência.

Notem que mesmo ao justificar o injustificável, o procedimento deles é promover a debacle institucional, lançando sombras sobre todos os órgãos democráticos existentes. Eles transformam a imprensa em um partido de oposição, o Judiciário em um ajuntamento de coturnos golpistas e as leis em armadilhas. O que sobra? O punho erguido e cerrado dos criminosos transformados em injustiçados e os gritos e palmas treinadas de seus cúmplices morais.

Adendo 1: Apelidei os milicianos que foram aplaudir Genoíno e outros vestais da ética de “torcida organizada do crime”.

Adendo 2: A esquerda não tem pudor em transformar nem cardiopatia nem tumor em cabos eleitorais.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s