Luiza Trajano, Mainardi e o copo meio cheio

O povo brasileiro é otimista, e por isso tolo. Lembrem que é próprio dos tupiniquins não desistir nunca. Temos uma mentalidade altaneira, mesmo montados na vaca que continua seu trajeto perpétuo rumo ao brejo. O caso do último final de semana é emblemático. Na mesa do Manhattan Connection estava uma doninha muito brasileira, e portanto muito otimista. Era a empresária Luiza Trajano, proprietária da Magazine Luiza. O que fazia ela no lugar onde um dia sentou Paulo Francis? Falava do copo meio cheio. Copo meio cheio, para quem não sabe, é a expressão que designa a abordagem positiva de um fato. O fato em questão era a economia nacional e os números da inadimplência no setor varejista. O que fez de tão patriótico a doninha otimista? Além de acusar a imprensa de só falar do copo meio vazio, contestou Diogo Mainardi, aquele a quem a esquerda besta enxerga como a besta fera da direita. Luiza Trajano mostrou como o Brasil é lindo e está cada vez melhor. Só faltou gritar que o gigante acordou com um coquetel molotov na mão. Não tenho motivos para desconfiar de Mainardi. Tenho é para desconfiar de otimistas como a dona do Magazine Luiza. Estamos na época em que o empresariado, exatamente por estar sentado no colo do governo, faz coro com os integrantes do governo. A empresa de Luiza Trajano, como bem lembrou o economista Rodrigo Constantino, pertence a um dos setores da economia que mais ganhou com as políticas sociais em andamento. É por isso que ela é só sorrisos. É por isso que ela defende o copo meio cheio. Outro que apreciava essa metade do copo era Eike Batista, a Luiza Trajano do petróleo de saliva. Em 2011, Diogo Mainardi, o desinformado, a besta fera da direita, ousou discutir com Eike Batista nesse mesmo programa. Todos sabemos resultado fático do embate entre o empresário otimista e o jornalista pessimista: o copo meio cheio de Eike secou.

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Monopólio do Preconceito

Lula disse que a culpa da crise econômica era dos “brancos de olhos azuis”. Paulo Henrique Amorim apelidou o jornalista Heraldo Pereira de “negro de alma branca”. Durante o julgamento do Mensalão, o Ministro Joaquim Barbosa foi chamado de “capitão do mato” e comparado a um macaco. Agora a Ministra da Igualdade Racial diz que a culpa dos rolezinhos é dos “brancos que se assustam”. Como se pode observar, o preconceito de raça é monopólio da raça de esquerda.

Sobre a Ministra da Igualdade Racial

Segundo a Ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, o problema dos rolezinhos só existe em virtude “da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença dos jovens”. É isso ai. Claro que apareceria alguém cretino o suficiente para transformar a coisa em disputa de cor de pele. Todo racialista não passa de um nazista bronzeado.

O salário de dona Luiza Bairros é pago por muitos brancos que ela costuma ofender com suas declarações racistas.

Luiza Bairros até ontem era mais um nome na lista telefônica. Sua declaração estúpida nos acordou para o fato de que é Ministra de Governo.

Minha cartinha na ZH de hoje

Por incrível que pareça a Zero Hora de hoje publicou a minha carta atacando a matéria do jornal que endossava os rolezinhos. Claro que ela não saiu na íntegra. Faltou o seguinte trecho: “Quanto a declaração do antropólogo, basta dizer que não seria caso de polícia se os envolvidos, pobres ou ricos, brancos ou negros, não cometessem delitos. Aguardo ansioso pela reação do jornal quando alguém resolver convocar um rolezinho na redação.”

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O Apartheid que eu defendo

Vejam a foto. Vejam a foto atentamente. Há dois elementos fundamentais ai. O primeiro, ao fundo, é um grupo de policiais. Eles caçam a marginália que tomou o shopping. Aqueles vagabundos que a pretexto de dar um rolezinho, furtam e tumultuam um ambiente particular, livre para a frequentação de qualquer classe social. O outro elemento é a família de negros que está logo a frente, na esquerda. Estão almoçando como qualquer família que decida ir a um shopping se divertir em segurança. Não tem nada que ver com cor. Eu só me referi a cor deles por terem imbecis que resolveram falar de apartheid. Não que eu seja contra todos os tipos de apartheids. Sou a favor de um específico: o apartheid que deve existir entre quem cumpre a lei e quem a descumpre.

ImageNa foto: Mandela janta com sua família

Quem são os pobres dos rolezinhos?

Nem só de shoppings vive o rolezinho. Antes deles a inteligência nacional já havia sido vandalizada. A gente observa ao ver fulaninhos teorizando sobre luta de classes quando temos uma balburdia dentro de uma área privada que tem acesso público. Há quem ache que estamos diante de uma manifestação social. Há cretinos que atribuem isso tudo a um “apartheid”. Os pobres estariam a se revoltar contra opulência da classe média. Sim, a maldita classe média. Mas de que pobres falam os fulaninhos, muitos deles integrantes da maldita classe média? Sabemos todos que existem os pobres de verdade, aquelas pessoas que, vejam só, também trabalham em shoppings. Mas também há “os pobres”, um personagem abstrato criado por certa intelectualidade. “Os pobres” não é o vendedor do McDonalds. “Os pobres” não é a moça que trabalha de faxineira. “Os pobres” não são os seguranças. “Os pobres” não é nem mesmo a senhora que cobra o ticket de estacionamento. Entendam que “os pobres” nunca são aquele monte de gente pobre que trabalha com afinco para dar sustento ao lar. “Os pobres”, para os fulaninhos, são grupelhos de bandidos que emprestam ar revolucionário a qualquer vandalismo gratuito.

Não confio em Camila Pitanga

Não confio em Camila Pitanga. Ela é a atriz que faz os anúncios da Caixa. “Vem para a Caixa você também”, diz ela, seguido daquele gesto de sigam-me os bons, do Chapolin Colorado. Vamos até a Caixa, junto com ela. É a instituição que vazou os dados do caseiro Francenildo. É a instituição que protagonizou o boato do fim do bolsa família. Agora também é a instituição que “confiscou” 525 mil contas com o belo propósito de engordar seu lucro de final de ano. Tenho alguns contos guardados em uma caderneta antiga de lá. Amanhã é dia de encerrar a conta. E não adianta o gerente chorar as Pitangas.

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Na foto, a garota propaganda da Caixa